Pais reféns de seus filhos

Você ja deve ter ouvido falar da síndrome do imperador. Essa é uma realidade de grande parte das famílias modernas em que os filhos estão cada vez mais autoritários, mandões e encrenqueiros. Mas há também os casos em que os pais se tornam reféns da deficiência dos seus filhos por acharem que eles não são capazes de realizar pequenas tarefas do dia a dia.

Quem é que manda na sua casa? Se você ficou na dúvida ou até tendencioso a responder que são seus filhos, acenda todos os sinais de alerta. Porque a sua resposta veemente deveria ser VOCÊ.

Quando temos em casa uma pessoa com deficiência, é muito comum que a pena tome conta do nosso coração e que achemos que aquele ser que nos foi confiado precisará de nós para o resto da nossa vida. E pode ser que isso realmente aconteça, mas acredite, essa não é o que acorre na maioria dos casos. O nosso primeiro impulso de fazer tudo, TUDO por ele atrapalhará e muito a sua autonomia. E a crença de que ele precisará de nós para o resto das nossas vidas realmente se realizará. Mas e depois que nós, seus pais, não estivermos mais aqui? O que será dele?

Começar com pequenas tarefas, como cobrar a sua roupa e colocar na gaveta, tirar o sapato do meio do quarto e colocar no armário, separar o material e colocar na mochila, arrumar a sua cama antes de ir à escola, entre tantas outras tarefas, é apenas o primeiro passo. E seu filho não vai se sentir rejeitado ou aborrecido por fazer a sua obrigação.

Mas o que acontece quando a criança a ter um comportamento abusivo e até agressivo, quando ela não sente culpa por ter maltratado outro pessoa, quando é tirana, dá ordens e exige respeito? Se seu filho está com essas características, ele tem a chamada síndrome do imperador.

Na primeira infância, muitos pais acham até bonitinho, mas de engraçado isso não tem nada. E quanto mais o tempo passa, mais a situação se complica, pois a criança aprende que ela tem o direito de ser comportar dessa forma. Na adolescência, ele se torna irresponsável, sem vínculos afetivos, agressivos.

E para evitar isso tudo, só é necessário um caminho: a educação. Evite a superproteção, não dê tudo o que ele pede, ensine a seu filho o que ele deve fazer, deixe que ele passe por frustrações. A vida não é fácil para ninguém. Dê amor, mas também saiba dizer não aos seus filhos. Nossa sociedade agradecerá.

Viviani Guimarães

Neurocientista

0 Comentários

Deixe um comentário!